terça-feira, 21 de abril de 2009

O Enterro da Cafetina


O Enterro da Cafetina


O mundo dos personagens de Marcos Rey começa quando o sol se põe e a noite cai sobre a cidade de São Paulo. Então, boêmios, garotas de programa, gigolôs, guerrilheiros urbanos (o livro foi escrito nos dias da ditadura militar), dançarinas de cabarés, taxi girls, alcoólatras, começam a sair das tocas, como ratos famintos, em busca de aventuras, de divertimento, de um trouxa, de um trocado, de uma garrafa de álcool, ou do simples e exato exercício de suas profissões.

Como diz o autor, "são homens e mulheres que param nos bares, restaurantes, inferninhos, cabarés, boates e em certas casas onde tudo se tolera", por vocação ou erro de educação, dor-de-cotovelo ou outra dor qualquer, vagabundagem. A noite paulistana, seus mistérios e misérias, faz a unidade de O Enterro da Cafetina, atando os sete contos entre si e formando um grande painel.
O que contam essas histórias? Coisas terríveis que acontecem na noite, como diz a Bíblia, mas também casos surpreendentes, quase patéticos, insuspeitas generosidades. Noitadas de amigos, regadas a muito álcool, que terminam de forma trágica; o gigolô bem-sucedido, homem de muitas mulheres, apaixonado por uma moça de família, a quem auxilia financeiramente; a morte e o enterro retumbante da velha cafetina; jogos de sedução em que cada um procura lograr o outro; a ação de guerrilheiros mais ou menos trapalhões; um caso de ciúmes neurótico; o redator alcoólatra lutando pela sobrevivência.

Com um texto fluente, enxuto e domínio absoluto do conto, Marcos Rey acompanha com naturalidade e sarcasmo, por vezes zombeteiro, as pequenas odisséias de suas criaturas, trituradas pela cidade grande, incapazes de encontrar um sentido para a vida e se lixando para isso, interessadas apenas em viver o imediato. Como autênticas criaturas da noite.


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Soy Loco Por Ti, América!


Soy Loco Por Ti, América!

Autor de mais de quarenta títulos, que alcançaram uma vendagem superior a 5 milhões de exemplares, Marcos Rey (pseudônimo de Edmundo Donato) foi antes de tudo um contador de histórias. Alheio a teorias, coerente consigo mesmo, sabia como raros prender a atenção do leitor e torná-lo parceiro, e cúmplice agradecido, das pequenas e grandes canalhices de seus personagens, como nos sete contos de Soy Loco por Ti, América!.

Neste, como nos seus demais livros, o grande personagem é a cidade de São Paulo, essa "máquina de moer gente" (João Antonio), cenário da luta implacável pela sobrevivência, envolvendo malandros e solitários, notívagos e angustiados, cada um se virando como pode, em busca de um trocado, de um instante de simpatia, de sexo barato. Uma fauna humana meio grotesca, que o escritor trata com ironia, irreverência, humor cáustico, segundo ele "a melhor forma de apresentar uma crítica".

Crítica, a sua, na verdade impiedosa da sociedade moderna, com a sua filosofia de consumismo, o egoísmo implacável, a alienação generalizada, o desespero do mundo noturno, com seus bares e inferninhos, garotas de programa, marginais e desesperados de todos os tipos.

A noite é o horário preferido pelos heróis de Marcos Rey para saírem da toca e se revelarem: a fã que surpreende o locutor, madrugada alta; o passeio noturno de um publicitário desempregado; os grã-finos em sua jornada vazia noite a dentro, com farto consumo de álcool e lança-perfume. Mas a gente do dia também é fascinante, sobretudo quando se trata de um refinadíssimo vigarista, como o personagem de A Enguia, ou de um irremediável apaixonado por política (O Adhemarista). Qualquer hora é hora para um personagem de conto sobressair quando quem escreve tem as artes, artimanhas e astúcias de Marcos Rey.

Esta noite ou Nunca


Esta noite ou Nunca


Esta noite ou nunca é um título bem sugestivo para este belo romance, narrado em primeira pessoa, na voz gentil e levemente irônica de um roteirista de filmes eróticos. Apaixonado por uma atriz de seus filmes, o narrador (sobre) vive num emaranhado de caminhos meio escusos, na fímbria estreita entre marginalidade e pobreza. Nas esquinas do enredo, levado pela mão de mestre de Marcos Rey, o leitor navega pela cartografia de uma São Paulo impecável, povoada por personagens inesquecíveis, de quem se fica íntimo no virar das páginas e devorar a história.

É neste cenário, focalizado a partir da janela de um apê do Minhocão paulistano, que se movimenta o narrador: espécie de pícaro no mundo das letras, ele tem em seu currículo, além de roteiros de cinema, novelas policiais assinadas como Willian Ken Taylor, nome cujo sotaque norte-americano é grife poderosa em histórias policiais que vendem tiragens astronômicas.

Vender, pecado imperdoável: num país - o país do romance, leitor desconfiado! - que se divide entre os muitos que não leem, e os poucos que ditam modas culturais, a crítica bate pesado em livros que vendem e em filmes que dão bilheteria. Mas... sorte do leitor deste livro: do teclado da máquina de escrever, eterna companheira de seu narrador, nasce a certeza de que não só a vida vale a pena, mas que é nela que se nutre o artista. Indiferente ao mau humor de críticos e assemelhados, o escritor vai tecendo suas generosas doses de sonho e de esperança, que chegam a nós em histórias, em filmes e em novelas, como esta que vem encantando leitores em suas várias edições.



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Mano Juan


Mano Juan


Marcos Rey sabia como ninguém envolver o leitor em aventuras e prender a sua atenção. Mago e mágico da palavra escrita, descobria na São Paulo imensa e movimentada, que todo mundo vê, uma cidade misteriosa, fascinante, na qual se desenrolavam peripécias e atropelos de tirar o fôlego, como vemos neste Mano Juan. Sem forçar a barra e falando apenas pelo interesse que despertam, os seus livros são tão apaixonantes quanto as obras de Alexandre Dumas ou outros mestres do romance de aventura.

Só que os heróis do mundo atual não usam capa e espada, não freqüentam palácios, nem manejam com habilidade a espada, mas se vestem de jeans ou ternos, andam por cortiços e muquifos e, em casos extremos, utilizam revólveres. A época não é mais a dos reis franceses românticos e idealizados, mas a década de 1970, no Brasil, dura, brutal, com a ditadura atenta como um cão de guarda, pronta a prender e torturar. Nesse ambiente tenso, Juan, um guerrilheiro boliviano, foge para São Paulo, em busca de uma possível ajuda. A partir daí, fatos e episódios galopam diante dos olhos do leitor, envolvido pela atmosfera daqueles dias, numa narrativa meio realidade meio pesadelo, em ambientes onde se misturam política e submundo, retratados com a justeza e fidelidade de quem os conhecia por dentro. Os pesadelos, contratempos, bons momentos e desesperos dos personagens são acompanhados por um autor irônico, sarcástico, por vezes bem-humorado, ora brutal, ora gozador, sempre implacável, revelando a sua descrença em relação ao bicho-homem, mas fazendo questão cerrada de ocultar a sua ternura, ou até mesmo simpatia.

Este Mano Juan, como observa Ignácio de Loyola Brandão no prefácio, "é a amostra viva da maestria de Marcos Rey - sua maneira de contar fácil e como é difícil narrar com facilidade e simplicidade".

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quarta-feira, 15 de abril de 2009

O Cão da Meia-noite

O Cão da Meia-noite
Autor - Marcos Rey


Contos

O Cão da Meia-noite reúne os melhores contos de Marcos Rey. O cenário é São Paulo, não a cidade dos executivos, do comércio intenso, das grandes empresas situadas na avenida Paulista, mas uma São Paulo que começa a viver quando a noite cai, habitada por uma fauna humana exótica aos olhos dos que vivem de dia, seres atormentados, quase de outro mundo, freqüentadores de bares, em busca de uma aventura sexual barata, alcoólatras, a gente da noite.

Nos oito contos do livro a presença dominante é a solidão humana das grandes metrópoles modernas, e os problemas dela decorrentes: a incomunicabilidade entre as criaturas, o vale tudo para se conseguir dinheiro ou chegar ao prazer, o egoísmo, a esperteza em todos os seus matizes, registradas com ironia, sarcasmo, humor corrosivo.

Com domínio absoluto da técnica do conto, sabendo como desenvolver uma história, prender o leitor e só soltá-lo na última linha, Marcos Rey apresenta, de forma quase impiedosa, os personagens de seu mundo. São escribas de alma contraditória, oscilando entre a piedade e a crueldade, mas ainda com um resto de sentimento humano, como o notívago de O Cão da Meia-noite, obra-prima, um dos mais belos contos de animais da literatura brasileira; o maníaco desequilibrado de Eu e Meu Fusca; a pequena odisséia de um publicitário desempregado (O Bar dos Cento e Tanto Dias); uma noite de desencontros numa reunião de gente endinheirada (A Escalação); a desilusão do motorista de táxi interessado em política (O Adhemarista); a festa na mansão de um magnata, com farto consumo de álcool e lança-perfume (Soy Loco por ti, América!); a noite felliniana de alguns amigos até a madrugada (Traje de Rigor); o jogo de engana-engana entre um artista e seu secretário, pela posse de uma mulher (Mustang Cor de Sangue); retratos do vazio existencial da gente da noite.

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O Pêndulo da Noite

O Pêndulo da Noite
Autor - Marcos Rey


Contos

Em O Pêndulo da Noite encontramos um Marcos Rey em plena forma: irônico, cético em relação à humanidade, por vezes debochado. As narrativas deslizam como um carro numa pista de alta velocidade. Texto exato, sem palavras a mais e sem preciosismos, a gíria bem empregada, quando necessário o palavrão. Diálogos vivos. Personagens marcados pela existência, ásperos, prisioneiros do sistema de vida da cidade grande moderna (São Paulo), alguns vivendo em quitinetes mínimas, fábricas de neuroses, ou em pensões baratas.

São vigaristas de todas as espécies, assaltantes, prostitutas, psicopatas, jornalistas que mal ganham para comer, espertalhões, artistas de sucesso, ingênuos (o que seria dos espertos sem eles?). E também ricaços da alta sociedade, satirizados de maneira implacável. Neste mundo quase pitoresco, a um dedo da marginalidade, predomina um sentimento de amarga frustração e de permanente solidão, uma absoluta incapacidade de comunicação entre os seres humanos, perdidos na selva de pedra, como animais de espécies diferentes. Cada um procura enganar o outro, na busca de suas conveniências, vantagens pessoais ou prazeres imediatos (Mustang Cor de Sangue).

Há os frustrados, que perdem qualquer escrúpulo para alcançar seus fins, mas que podem apenas estar cavando a própria ruína, como no sarcástico O Dicionarista.

Mas, o autor acredita que nem tudo está perdido, pelo menos enquanto houver otários como o personagem de O Bolha, ou figuras com um resto de sentimento humano como o herói de O Cão da Meia-noite, um dos mais belos contos de animais da literatura brasileira, ponto alto do livro, ao lado de Eu e Meu Fusca. Um livro com "a força de uma denúncia", como observa João Antonio, que achará o seu lugar "aos trompaços, socos e pontapés", tal como as coisas acontecem na sociedade brasileira atual.

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A Última Corrida

A Última Corrida
Autor - Marcos Rey


A narrativa de Marcos Rey em A última corrida - Ferradura dá sorte? conduz o leitor não apenas ao espaço onde se desenvolve a história turfística.

A trama ficcional insinua-se por bairros e logradouros da cidade - espaço que o autor percorre com olhos de roteirista. Na metrópole, pano de fundo, movimentam-se as personagens elaboradas pela criatividade do autor, mas a ficção de Marcos Rey extrapola o regional. O romance, cujo tema se desenrola de modo instigante, mostra ao leitor o mundo do turfe e as figuras que nele interagem.

Tratadores, jóqueis, proprietários e apostadores vão surgindo e, desde logo, evidenciam suas características. Mestre Juca, profissional honesto e competente, sob aparente crosta de dureza, esconde uma sensibilidade que aflora no decorrer da história. Seu carinho por Gil e a admiração do rapaz pelo velho tratador crescem nos bastidores das corridas. O amor aos animais revigora a amizade entre ambos, apesar da grande diferença de idade. O turfe é o laço que os mantém unidos. Marujo, cavalo favorito, preenche-lhes a vida e galopa na história do começo ao fim.
Embora destituído de princípios, uma certa pureza transparece nas atitudes do jovem Gil. Seu amor obsessivo por Valentina, a ambição e o sonho levam o adolescente a caminhos tortuosos. A narrativa se desenvolve aguçando a curiosidade do leitor quanto ao destino do rapaz.

O milionário Cid Chaves, a irmã Ernesta, o homem de terno escuro e pasta, João Maconheiro, entre outras personagens, sustentam a trama da história. Na Vila Hípica, cavalos de nomes expressivos - Platino, Luar, Miss Ly, La Petite Impossible - integram o cenário onde a realidade dos bastidores e a ficção se encontram. A criatividade, a linguagem despojada e a narrativa instigante estimulam o interesse do leitor. A obra de Marcos Rey destaca-se no panorama das letras nacionais. A publicação de A última corrida - Ferradura dá sorte? confirma a relevância de sua produção literária.

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Memórias de um Gigolô ( Globo-1986 ) - Abertura

terça-feira, 14 de abril de 2009

UM PAULISTANO GENIAL


Marcos Rey, pseudônimo de Edmundo Donato, (São Paulo, 17 de fevereiro de 1925 — São Paulo, 1 de abril de 1999) foi um escritor, tradutor e cineasta brasileiro.

Marcos Rey era descendente de italianos; seu pai, Luís Donato, era um gráfico que trabalhara na Editora Monteiro Lobato, e era um leitor voraz de ficção, transmitindo este gosto aos filhos. Seu irmão mais velho, Mário Donato, também é escritor.

Marcos foi redator de programas de televisão, adaptou os clássicos O Príncipe e o Mendigo, de Mark Twain e A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo em forma de telenovela. Foi um dos autores do roteiro de Vila Sésamo e participou da equipe de redação do Sítio do Picapau Amarelo.

Foi tradutor de livros em inglês, em parceria com seu irmão Mário Donato. Em 1961, escreveu para a coleção juvenil Conquistas Humanas o volume Habitação, que conta a história da residência do homem desde o tempo das cavernas.

Marcos usava sua cidade natal, São Paulo, como cenário de várias de suas obras. O autor se dedicou principalmente às obras voltadas ao público juvenil. Escreveu crônicas, contos e se destacou escrevendo romances. Escreveu também várias obras literárias adultas. Durante os anos 70, foi roteirista de diversos filmes do gênero pornochanchada produzidos na Boca do Lixo, em São Paulo, como As Cangaceiras Eróticas e O Inseto do Amor. No gênero ficção infantil estreou com Não Era Uma Vez, drama de um garoto à procura de sua cadela perdida nas ruas.

Na década de 1990 tornou-se colunista da revista Veja São Paulo.

BIBLIOGRAFIA
Literatura infanto-juvenil
  • Não era uma vez (infantil, 1980)
  • O Mistério do Cinco Estrelas (romance juvenil, 1981)
  • O rapto do Garoto de Ouro (romance juvenil, 1982)
  • Um cadáver ouve rádio (romance juvenil, 1983)
  • Sozinha no mundo (romance juvenil, 1984)
  • Dinheiro do céu (romance juvenil, 1985)
  • Proclamação da República (paradidático, 1985)
  • Enigma na televisão (romance juvenil, 1986)
  • Bem-vindos ao Rio (romance juvenil, 1987)
  • Garra de campeão (romance juvenil, 1988)
  • Corrida infernal (romance juvenil, 1989)
  • Quem Manda Já Morreu (romance juvenil, 1990)
  • Na rota do perigo (romance juvenil, 1992)
  • Um rosto no computador (romance juvenil, 1993)
  • Doze horas de terror (romance juvenil, 1994)
  • Brasil, os fascinantes anos 20 (paradidático, 1994)
  • O diabo no porta-malas (romance juvenil, 1995)
  • Gincana da morte (romance juvenil, 1997)
  • O caso do filho do encadernador (autobiografia, 1997)
  • O menino que adivinhava (romance juvenil, 2000)
  • Diário de Raquel (romance juvenil, 2004)
Literatura adulta
  • Um gato no triângulo (novela, 1953)
  • Café na cama (romance, 1960)
  • Entre sem bater (romance, 1961)
  • A última corrida (romance, 1963)
  • Os grandes crimes da História (paradidático, 1967)
  • O enterro de cafetina (contos, 1967)
  • Memórias de um gigolô (romance, 1968)
  • O pêndulo da noite (contos, 1977)
  • Ópera de sabão (romance, 1978)
  • Soy loco por ti, América! (contos, 1978)
  • Malditos paulistas (romance, 1980)
  • A arca dos marechais (romance 1985)
  • Esta noite ou nunca (romance, 1988)
  • O roteirista profissional (ensaio, 1989)
  • A sensação de setembro (romance, 1989)
  • último mamífero do Martinelli (novela, 1995)
  • Os crimes do olho-de-boi (romance, 1995)
  • O coração roubado (crônicas, 1996)
  • Fantoches (novela, 1998)
  • Cão da meia noite (contos, 1998)
  • Melhores contos de Marcos Rey (antologia, 2005)
  • Mano Juan (romance, 2005) (inédito)

Adaptações para o cinema e a televisão

Prêmios

  • 1968 - Prêmio Jabuti na categoria Contos / Crônica / Novelas, por O enterro da cafetina.
  • 1994 - Prêmio Jabuti na categoria Conto por O último mamífero do Martineli.